28 de julho de 2017

Cansei

Depois de um longo relacionamento e de ter conhecido algumas pessoas que não me agradaram tanto pelo modo que elas agiam, quanto pelo simples fato de não fazerem absolutamente nada. Hoje, é dentro do meu limbo que eu encontro paz e me sinto satisfeito.

Ando com preguiça de me dispor e me despir pra alguém pela milésima vez, preguiça de começar do zero e ter que contar toda a minha historia outra vez, ter que voltar pro grande jogo das conquistas e planejar encontros. Ando com preguiça de conhecer alguém, enviar uma mensagem e ficar grudado no celular esperando por uma resposta que demora pra chegar e às vezes nunca chega, preguiça de reservar algumas horas da minha vida pra sair com alguém e no outro dia, ter que lidar com o sumiço da pessoa. Não tenho esperado mais resposta de ninguém e tenho tido pavor de responder alguém que não sejam os meus amigos.

Dizem que ninguém consegue ficar sozinho por muito tempo, que viver ao lado de alguém, ter alguém pra cuidar de você é essencial na vida. Mas eu estou ótimo me cuidando sozinho e não acho que ficar sozinho seja o fim do mundo se você está sempre disposto a descobrir coisas novas pra manter o teu mundo maior e tua vida bem mais interessante. Eu não preciso de alguém pra me fazer rir, pra me dar um cafuné antes de dormir, pra me trazer café na cama e pra me apresentar bandas que eu nunca ouvi. Dizem que uma hora chega sua vez, uma dia o cupido acerta a flecha, em algum um momento o amor esbarra na gente e quando isso acontece, não tem pra onde correr.

Não sei se fiquei desinteressante ou se me tornei mais exigente e maduro. Não sei se está cada vez difícil encontrar uma parceria real numa época em que os aplicativos de pegação, a falta de interesse somada a falta de tempo tem transformado as pessoas em seres  totalmente desinteressantes pela apatia. O fato é que cheguei num momento que cansei de estar sempre disponível pras pessoas que cada vez mais parecem estar indispostas, cansei de tentar e de pensar em tentar mas acabar não tentando porque o interesse acabou antes disso. Cheguei no momento só meu - e talvez, você que está lendo isso também tenha chegado - isso não deve ser ruim se você se sente bem consigo mesmo e confortável pra fazer o que quiser, quando e onde quiser.

Chega um momento que as pessoas vem e vão, vem em vão. Nada contagia, parece que nada é bom o suficiente pra ficar. Ninguém é capaz de te devolver aquele brilho no olhar que todo apaixonado carrega consigo, ninguém é tão bacana o suficiente pra te puxar do limbo. Chega um hora que o coração da gente pede paz. De tanto apanhar a gente cansa das pessoas, cansa dos joguinhos que elas fazem, cansa das relações. E então, tudo que a gente quer, é ficar sozinho. A gente passa por cada coisa, recebe tantas pedradas ao longo do caminho, coleciona mais algumas decepções e tapas na cara que quando a gente amadurece, a gente passa a exigir mais do outro sem nem saber se o outro já passou pelas mesmas estradas que a gente percorreu. E então aquela frase do Arnaldo Antunes passa a fazer todo sentido pra gente: ''Socorro, alguém me dê um coração, que esse já não bate, nem apanha''.

20 de março de 2017

Assim

  • "Todos os meus amigos já me alertaram para não ficar tão no pé, para não correr atrás, demorar para responder as mensagens e dizer dois “não” antes de qualquer “sim”. Mas, pensando bem, acho que não nasci para amar assim. Eu não sei entrar nesse jogo de desinteresse para me mostrar interessado. Pela minha lei, a gente manda mensagem sim. Pelas minhas regras, é permitido responder qualquer mensagem logo nos primeiros segundos depois dela chegar. Não tem por que fingir que não já leu e não repetiu a resposta em voz alta, como se o mundo inteiro precisasse saber que dentro do nosso peito existe amor. Existe uma sensação de formigamento, ansiedade e gosto dos beijos que nem foram dados, mas já ficaram na memória. A gente perde tempo demais fingindo desinteresse. A gente gasta um tempo danado dizendo as coisas ao contrário. Como se disser que já tem programa para qualquer uma das noites ou usar menos exclamação, menos emoticons, fosse extremamente necessário para que a pessoa do outro lado da tela não encha seu saco de mim. Olha, eu não sei ser assim. Para me amar, tem que responder tão rápido quanto eu. Tem que ser efusivo, exagerado, tem que topar sair para qualquer lugar, ainda que não seja de grife ou com a melhor crítica. Para estar comigo, tem que aceitar sair para ver uma animação no cinema domingo à noite. Tem que ser alguém que não curta joguinhos no relacionamento, mas seja infinitamente mais vingativo que eu depois de receber +4 no Uno. Que queria me conquistar tanto quanto eu gostaria de conquistar todos os seus imóveis no Banco Imobiliário. A vida é uma só para a gente ficar ensaiando as melhores formas para dizer o óbvio como – eu amo você. Se você sente, é certo. Se você quer, é correto. Não tem nada que alguém possa te dizer para provar o contrário. Não tenha medo de demonstrar interesse por receio de não haver reciprocidade. Uma hora a gente dá match. E se não der, se não for dessa vez, paciência. A gente ousou ser autêntico o suficiente para conquistar alguém. Não teve truque, fórmula mágica ou meia dúzia de joguinhos. Só peito aberto e cara de pau de ser quem se é."