20 de março de 2017

Assim

  • "Todos os meus amigos já me alertaram para não ficar tão no pé, para não correr atrás, demorar para responder as mensagens e dizer dois “não” antes de qualquer “sim”. Mas, pensando bem, acho que não nasci para amar assim. Eu não sei entrar nesse jogo de desinteresse para me mostrar interessado. Pela minha lei, a gente manda mensagem sim. Pelas minhas regras, é permitido responder qualquer mensagem logo nos primeiros segundos depois dela chegar. Não tem por que fingir que não já leu e não repetiu a resposta em voz alta, como se o mundo inteiro precisasse saber que dentro do nosso peito existe amor. Existe uma sensação de formigamento, ansiedade e gosto dos beijos que nem foram dados, mas já ficaram na memória. A gente perde tempo demais fingindo desinteresse. A gente gasta um tempo danado dizendo as coisas ao contrário. Como se disser que já tem programa para qualquer uma das noites ou usar menos exclamação, menos emoticons, fosse extremamente necessário para que a pessoa do outro lado da tela não encha seu saco de mim. Olha, eu não sei ser assim. Para me amar, tem que responder tão rápido quanto eu. Tem que ser efusivo, exagerado, tem que topar sair para qualquer lugar, ainda que não seja de grife ou com a melhor crítica. Para estar comigo, tem que aceitar sair para ver uma animação no cinema domingo à noite. Tem que ser alguém que não curta joguinhos no relacionamento, mas seja infinitamente mais vingativo que eu depois de receber +4 no Uno. Que queria me conquistar tanto quanto eu gostaria de conquistar todos os seus imóveis no Banco Imobiliário. A vida é uma só para a gente ficar ensaiando as melhores formas para dizer o óbvio como – eu amo você. Se você sente, é certo. Se você quer, é correto. Não tem nada que alguém possa te dizer para provar o contrário. Não tenha medo de demonstrar interesse por receio de não haver reciprocidade. Uma hora a gente dá match. E se não der, se não for dessa vez, paciência. A gente ousou ser autêntico o suficiente para conquistar alguém. Não teve truque, fórmula mágica ou meia dúzia de joguinhos. Só peito aberto e cara de pau de ser quem se é."